27 de março de 2007

Esta tecnologia pode matar facistas?

 


Até que ponto os novos meios de comunição e distribição de informação pode influenciar a massa?

David de Oliveira Lemes

Woody Guthrie morreu em 1967. Criador da contry-music moderna, é considerado um dos nomes mais importantes da música norte-americana. Bob Dylan costuma afirmar que se Woody Guthrie não tivesse existido, ele não teria seguido carreira na música.

Músico andarilho, Woody deixava sua marca pessoal por onde passava. Sua música impressionava e a frase cravada a canivete em seu violão chocava e fazia muita gente pensar. A frase: esta máquina mata facistas (clique na foto e amplie).

A Intel, famosa fabricante de microprocessadores, o cérebro e o coração dos computadores de hoje, nasceu em 1968. Mesmo ano que Richard Nixon foi eleito presidente dos Estados Unidos.

Em 1969 começa a ser construída o que hoje conhecemos como Internet pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Dois anos após a morte de Guthrie. No mesmo ano, em 20 de julho, Neil Armstrong pousou na Lua com a Apollo 11. Em agosto aconteceu o festival de Woodstock.

A tecnologia evoluía rapidamente. A cultura e a contra-cultura colocava mentes inquietas em ebulição. A aldeia global de MacLuhan começava a engatinhar.

A imprensa, nascida com o invento de Gutemberg em 1440, noticiava os fatos, mortes, shows de rock, homem na lua e em 1972, o jornalismo mostra, mais uma vez, que é uma máquina de transformação do mundo. O caso Watergate derruba o presidente Nixon.

A tecnologia avança e os meios de comunicação crescem. Em 1976 é fundada a Apple Computer e com ela nascia o conceito de computador pessoal. Em 24 de janeiro de 1984 a Apple lança o Macintosh e começa a transformar um simples indivíduo num centro de imprensa autônomo. É a partir desta data que começa o movimento onde uma única pessoa pode produzir e adequar-se a meios profissionais e industriais de reprodução da informação. Sim, uma única pessoa.

Um indivíduo poderia ser então, um centro catalisador, produtor e distribuidor de informação. Poderia então um simples Mac ser uma máquina de matar facistas, como o violão de Woody Guthrie?

Mesmo dependente de recursos industriais para impressão e distribuição, um Mac poderia ser sim uma ferramenta pós-midiática que junto com uma mente idealista, trabalhasse na criação de novos universos referenciais, sendo eles objetivos ou subjetivos. Era a profissionalização do fanzine punk.

A massa…

No anos 80 as BBS ganharam força em várias partes do mundo e criam grandes serviços online. Na década de 90, a internet comercial entra em cena.

É a concretização possível da difusão de combinações rizomáticas pensada por Guatari. “Relações bidimensionais e multidirecionais entre coletivos de enunciação pósmidiatica”.

Hoje, frente a tudo isso, os Barões da Mídia precisam abrir muito bem os olhos pois, com uma idéia na cabeça, um computador com conexão com a internet podemos criar, com poucos cliques, um veículo de comunicação.

Sim, um veículo de comunicação que pode fazer um novo jornalismo e desafiar as normas de produção consagradas até hoje. Esse veículo pode ser um site ou um blog.

Um produto que pode funcionar de maneira mais dinâmica e aberta que os veículos tradicionais, trabalhando com apurações coletivas, ideais, colaboração contínua de várias partes do mundo, edição constante, multimídia (trabalhando com áudio, vídeo, texto, ilustração e animações) e buscar ainda uma nova estética visual e escrita.

Com um veículo assim, vivo e dinâmico, pode-se buscar uma brecha no sistema estabelecido pela grande imprensa e usá-la para divulgar seu trabalho. Seria interessante que o contrário não ocorresse.

O jornalista ou escrevedor passaria então a trabalhar como um editor e catalisador de informação e produtor de mídia digital. Um veículo que pode estar dentro do fato e relatá-lo imediatamente e por que não, derrubar facistas?

Seria então um neo-jornalismo isso tudo? Ou simplesmente jornalismo usando todos os recursos tecnológicos existentes hoje?

O fato é que a tecnologia, além de ser usada como difusora de informação, pode servir também como ferramenta de mobilização de massa. Hoje já é possível mobilizar um grande número de pessoas via SMS (mensagens de texto) usando um celular.

Os governos, indústrias e empresas de todos os tipos, principalmente de comunicação, manipulam o que pode, segundo elas, e o que não pode ser visto, entendido, vendido ou comprado. Mas existem brechas e é preciso trabalhar nesses espaços para serem criadas zonas autônomas, nem que sejam temporárias.

Uma manifestação, organizada por SMS pode ser coberta jornalisticamente por um blog com aparatos multimídia e publicado quase que em tempo real. O fato pelo fato, o relato e reportagens analíticas podem ser publicadas. Uma ferramenta de busca na internet e a credibilidade do veículo garantem a audiência que pode ser muito maior que a tiragem de grande jornais impressos. Manifestantes podem gravar seus vídeos da manifestação e enviar para o blog via MMS e publicá-los. Junto a tudo isso, os leitores que participaram ou não podem comentar num fórum….

Pois bem, existe um novo modo de pensar e de fazer jornalismo. O new journalism virou um velhote perto disso tudo. Precisamos nos preparar para arregaça as mangas, trabalhar e deixar que toda essa tecnologia, derrube todos os facistas. E que o contrário não seja verdadeiro.

8 de março de 2007